Caso clínico de Meduloblastoma Infantil

Telerradiologia viabiliza diagnóstico emergencial de meduloblastoma infantil utilizando tomografia computadorizada.

O meduloblastoma infantil consiste em um tumor maligno do sistema nervoso central, que se desenvolve no cérebro ou cerebelo. A enfermidade possui uma alta incidência em crianças até 10 anos de idade, exigindo uma conduta rápida.

A investigação de um caso da doença exige que a equipe médica e de radiologistas tenha uma prévia informação sobre o meduloblastoma, de forma a conseguir fazer um diagnóstico mais preciso e em menos tempo para encaminhar a conduta adequada que apresente melhor prognóstico ao paciente.

Pensando nas particularidades dessa condição, apresentamos a seguir o estudo de um caso clínico de meduloblastoma infantil relatado pelo médico Dr. Paulo Kuriki.

Estudo de caso clínico de Meduloblastoma Infantil

Na descrição geral do caso é relevante ter ciência de que se trata de uma ocorrência de identificada em uma criança de 7 anos, do sexo masculino, que deu entrada no Pronto-Socorro com um relato de ataxia (perda ou irregularidade da coordenação muscular) e cefaleia, sem outros sintomas.

Nesse caso há urgência no atendimento e andamento do caso, pois o correto diagnóstico, possível por meio do laudo radiológico, é determinante para o encaminhamento precoce do tratamento, que será determinante nas chances de sucesso e sobrevida do paciente.

As imagens obtidas por meio de uma tomografia computadorizada para o diagnóstico de meduloblastoma infantil apresentou alguns aspectos clínicos que devem ser destacados para maior clareza da investigação médica que envolveu o caso:

  • identificou-se uma formação expansiva centrada no vérmis cerebelar, de limites bem definidos, que se insinua para o IV ventrículo;
  • a lesão demonstrou hipo/isossinal em relação ao córtex nas sequências ponderadas em T2 com algumas imagens císticas de permeio;
  • identificou-se realce pelo meio de contraste e importante restrição à difusão do mesmo;
  • observou-se a obliteração das cisternas pré-pontina e dos ângulos ponto-cerebelares, com hidrocefalia supratentorial.

Essas condições clínicas identificadas por meio do exame de imagem do paciente, os especialistas responsáveis consideraram as informações prévias de condições semelhantes.

De acordo com a equipe, é amplamente conhecido pela literatura médica que metade dos tumores encefálicos nas crianças tem origem na fossa posterior. Nessa localização e faixa etária, os especialistas podem considerar os seguintes diagnósticos:

  • meduloblastoma infantil;
  • ependimoma;
  • astrocitoma pilocítico;
  • papiloma do plexo coróide;
  • tumor teratóide/rabdóide atípico;
  • glioma de tronco exofítico.

Portanto, a experiência e conhecimentos prévios da equipe responsável permitiu restringir a investigação a suspeita de seis enfermidades que poderiam afetar essa parte do cérebro, apresentando os sintomas informados no quadro inicial e considerando a idade do paciente.

meduloblastoma infantil

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Diagnóstico do Meduloblastoma Infantil

A partir desse primeiro recorte, a equipe deu seguimento na interpretação dos indícios e exames apresentados.

Verificou-se que devido à linhagem celular de PNET caracterizada pela alta relação núcleo-citoplasmática, o meduloblastoma apresenta-se como um tumor bastante denso, com hiperatenuação espontânea na tomografia computadorizada, hipossinal em T2 e caracteristicamente restrito à difusão.

Quando presente na faixa etária infantil, o tumor localiza-se, normalmente, na linha média, crescendo a partir do teto do IV ventrículo. Caso a investigação envolve-se um paciente mais velho, seria lembrado que, nessas situações, é mais frequente que o tumor acometa os hemisférios cerebelares.

Para excluir as demais suspeitas do caso, verificou-se que um ependimoma apresentaria um aspecto mais plástico, amoldando-se ao IV ventrículo e estendendo-se pelos forames de Luschka e Magendie.

Portanto, a enfermidade não correspondia aos indícios apresentados na TC, mas assemelhava-se mais de um quadro de meduloblastoma infantil, que normalmente, apresenta crescimento rápido e promove a obstrução do IV ventrículo, causando hidrocefalia e consequentemente cefaleia, sintoma relatado pelo paciente.

Já a suspeita de astrocitoma pilocítico não se sustentou, pois a condição é mais frequente nos hemisférios cerebelares e com aspecto sólido-cístico, fazendo diagnóstico diferencial com os hemangioblastomas na população mais velha.

Considerou-se ainda se o quadro tratava-se de um diagnóstico diferencial de tumor teratóide/rabdóide atípico, que é mais difícil de ser identificado em exames de imagem.

No entanto, avaliou-se que esse tipo de tumor tem uma ocorrência mais comum em pacientes de até três anos, enquanto o meduloblastoma infantil tem maior incidência em pacientes de 5 anos, com 75% dos casos ocorrendo em pacientes com menos de 10 anos, faixa etária na qual o paciente está inserido.

A conclusão do laudo médico emitido pela DiagRad é que se tratava de meduloblastoma infantil e que, dada a rápida disseminação para o espaço subaracnoideo, era sugerida uma investigação de todo o neuro eixo, com o objetivo de investigar a presença de metástases.

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A importância da telerradiologia no diagnóstico

No caso clínico descrito anteriormente, duas vantagens da telerradiologia apresentaram-se como diferenciais determinantes no diagnóstico do paciente:

  • agilidade: a gravidade do tumor exigia uma conduta rápida para que fosse possível emitir um diagnóstico e, imediatamente, encaminhar o paciente para novas investigações e tratamento, assim, o tempo de resposta da DiagRad em emergências contribuiu para melhorar as chances de sucesso em um potencial tratamento;
  • especialidade: outro aspecto determinante é que a experiência e especialidade do médico responsável pela emissão do laudo viabilizou que ele rapidamente fizesse um levantamento das potenciais patologias e identifica-se a ocorrência a partir da conjunção dos fatos presentes no caso, como sintomas, idade do paciente e características do tumor de acordo com a TC.  

A telerradiologia, portanto, contribui na investigação de um caso de meduloblastoma infantil, indicando ao médico solicitante as explicações que levaram a esse diagnóstico e também a conduta posterior necessária para dar andamento ao caso.

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