Descoberta Coloca a fMRI Em Xeque

Recentemente foi publicado um estudo que colocou a todos os pesquisadores dos mistérios do cérebro humano em estado de apreensão. Sendo a Ressonância Magnética Funcional (fMRI) o centro de toda a questão.

Um grupo de cientistas suecos e ingleses acaba de publicar os achados de um estudo que coloca em xeque os resultados obtidos através do método estatístico utilizado em praticamente todas as pesquisas que fizeram uso de fMRI e que foram realizadas nos últimos 15 anos.

Segundo o artigo publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA, os cientistas afirmam que os dados obtidos através da técnica fMRI podem estar errados por conta de uma falha na própria técnica.

 

O QUE É fMRI E COMO FUNCIONA?

A Ressonância Magnética Funcional é uma técnica de neuroimagem utilizada para estudar as reações cerebrais humanas enquanto a pessoa realiza alguma atividade. Essa técnica ganhou popularidade entre a comunidade científica a partir dos 90 sua relevância para as pesquisas cerebrais só tem crescido.

Atualmente já foram realizadas mais de 40 mil pesquisas através deste método. Ou seja, quase tudo que sabemos sobre o cérebro é proveniente desta técnica. E não são poucas informações. Através dessas pesquisas foi possível entender como o nosso cérebro reage quando lemos, comemos, caminhamos, dormimos, sonhamos, pensamos naqueles que amamos e até mesmo quando estamos felizes, tristes nervosos e por ai vai.

Todas essas atividades foram realizadas por alguém dentro de uma máquina de ressonância magnética onde um campo magnético é produzido e atravessa todo o corpo da pessoa. O objetivo é fazer com que a células sanguíneas vibrem levemente, para que assim essa vibração possa ser medida. Com essa informação, os cientistas podem compreender quais áreas do cérebro estão mais ativas durante a realização de cada atividade e perceber o que cada ação provoca no cérebro.

 

QUAL O PROBLEMA APONTADO?

A pesquisa que contesta os dados foi realizada a partir da comparação entre as imagens obtidas do cérebro de 499 pessoas em repouso. De acordo com o que sabemos sobre a atividade cerebral, os resultados não apresentariam grandes diferenças. Contudo, o que os cientistas suecos e ingleses encontraram foi justamente o contrário.

Foram detectados falsos positivos em aproximadamente 70% das imagens, deixando claro que o nível de imprecisão dessa técnica é muito elevado. Atrelado a esse fato, em 2015 também foi encontrada e corrigida uma falha no sistema utilizado para fazer análises de fMRI (mas as pesquisas realizadas antes disso podem ter sido afetadas por esse problema).

 

POR QUE ESSA FALHA SÓ FOI DESCOBERTA AGORA?

Um dos argumentos utilizados para justificar a descoberta tardia desse problema é que a fMRI é uma técnica extremamente cara, com isso os custos altos acabam forçando pesquisadores a realizarem estudos com poucas pessoas e sem repetições.

Para se ter uma ideia, em dos países mais desenvolvidos do mundo, os EUA, a hora de uso de um aparelho de fMRI custa algo em torno dos R$ 2.000,00, sendo que o valor de um aparelho novo gira em torno dos 9,8 milhões de reais.

 

QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS?

Ainda é cedo para saber quais são as reais consequências dessa descoberta. Nos próximos meses (e talvez anos) os cientistas buscarão reproduzir esses testes novamente para confirmar ou desacreditar essa teoria. Porém, caso o erro seja comprovado, praticamente tudo que sabemos sobre o cérebro poderá estar errado.

Isso significaria um dos maiores baques para a neurociência em toda a história.

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